sábado, 14 de setembro de 2013

War Of Fifty - Segundo Capítulo

Capítulo 2 - A garota fada, Astar.

        String corria com suas garras arrastando o solo em direção do trio quando Dylan tirou sua capa e a enrolou no ante-braço esquerdo.
- Posso começar? - Pergunto ele com o rosto de repente ficando extremamente sério, e Saria percebeu que ele perguntara ao irmão.
- Espere, - disse Torb olhando para o inimigo por trás dos óculos - Um, dois, VAI!
Com o grito do guerreiro de fogo, Dylan jogou a capa enrolada para frente e em seguida e chutou para o céu da Arena, e em um segundo seu punho estava no rosto de String o jogando para o outro canto da sala.
- Quanto tempo? - Dylan se virou para Torb, mas ele olhava para o chão e ao redor como se estivesse calculando algo importante e sem que percebesse lançou uma enxurrada de informações que Saria não sabia nem por onde começar a escutar.
- Considerando o tipo de solo, o atrito que você vai ter correndo nele e a brisa que vem das escadas e das portas por onde todos entraram, - ele fez uma pausa e olhou para Dylan por cima das pontas ruivas do cabelo que caíam nas lentes. - você tem dois minutos para a primeira queda.
-Vou precisar de apenas um. - Disse o irmão mais velho e correu para o encontro de String.
Os dois começaram uma tempestade de socos, chutes e golpes que mal podiam ser acompanhados e Saria se sentindo tonta pela velocidade dos golpes decidiu olhar para Torb.
Para a surpresa da garota, ele a estava observando com um rosto severo, como o rosto de alguém que está prestes a iniciar uma guerra por uma coisa que você deixou de fazer.
-Você está bem? - Ele perguntou, sem alterar o olhar e muito menos mexer o rosto, quase os lábios não se abriam para que falasse.
- O que foi aquilo, quero dizer, aquelas informações todas, de onde tirou tudo aquilo? Como conseguiu calcular aquilo tudo em uma fração de segundos? - Respondeu a garota atropelando as palavras ao mesmo tempo que parou de falar com um olhar questionador no rosto.
Torb sorriu.
- Há coisas sobre nós dois, das quais você nunca entenderia.
- Tente explicar, quem sabe está errado.
- Eu nunca erro.
Duas esferas vermelhas se formaram nas mãos do garoto e Saria percebeu o porque estava falando com ela ao invés de prestar atenção nos golpes que ocorriam do outro lado da sala. Ele estava se concentrando para ganhar energia e quando as esferas ficaram quase do tamanho de duas bolas de futebol, ele as lançou.
-30 graus para a direita, - Disse ele se inclinando antes de gritar e lançar as esferas em direção ao irmão. - "Bolas de lava".
Dylan olhou para trás e saltou quase que simultaneamente com o rosto preocupado.
Ele saltou tão longe e tão rápido que não pode parar apenas com o atrito do solo e teve que se abaixar e arrastar os dedos para parar.
-Pode avisar da próxima vez Torb? - Disse ele enquanto as esferas se aproximavam pelas costas e String pela frente - Para que lado?
-Direita. Trinta graus. - Disse ele, mas o irmão já havia saltado para frente e se apoiado nas mãos fazendo uma estrela e um mortal enquanto String saltava junto com as garras se afastando o que fez com que elas aparentassem um tamanho maior do que tinham.
Dylan chutou as garras do guerreiro dos Mortos e em um piscar de olhos a perna esquerda do irmão de Torb estava no rosto do inimigo.
-"Double Kick" - String, para a surpresa de Saria, foi lançado para onde as esferas de chamas escuras se cruzaram e uma esfera ainda maior se formou como uma órbita de um planeta nascendo em sua frente.
-"Caos Vulcânico" - Torb estava olhando para o local onde o inimigo estava e suas mãos fecharam quando ele falou e a esfera explodiu quase que simultaneamente, lançando fumaça negra e cinzas para todos os lados, enquanto String era lançado para cima e caía com os olhos fechados e os braços para baixo, como um cadáver em um abismo.
Saria deu um passo á frente e um sorriso preencheu seu rosto.
-Vocês venceram? - Perguntou ela.
-Ainda não.
Quem respondeu foi Dylan fazendo com que a garota de luz saltasse de susto, ao perceber que ele estava ao seu lado e que a capa que havia chutado ao ar estava novamente em suas costas.
-Torb você cuida daqui em diante? - Perguntou ele.
De algum modo seu olhar estava distante, como se não pudesse mais lutar, embora não houvesse um arranhão em sua pele.
-Cuido desde que você fique aqui, vai poder lutar daqui cinco minutos mas não posso deixar que isso ocorra e você vai me obedecer, certo? - Disse o irmão
- Ok, combinado.
-Gente, - Saria em algum momento da conversa entre os irmãos decidiu olhar para cima e notou String girando como um peão no ar fazendo com que apenas suas garras fossem visíveis, garras que aumentavam significativamente a cada segundo. - será que dá para decidir isso depois? As garras dele estão crescendo. Estão enormes.
Os olhos por baixo dos óculos de Torb se dilataram e ele começou a correr para frente de todos, e com um impulso inconsciente dos pés, Saria se viucorrendo á seu lado.
-Ele não está fazendo as unhas crescerem. - Disse o garoto - Ele está soltando-as do corpo.
-O que você...
Antes de Saria conseguir terminar sua pergunta, enquanto olhava para o jovem ruivo ao seu lado, ouviu um barulho de algo que cortava o ar, algo leve e rápido aos ouvido e quando decidiu olhar para as grades acima de sua cabeça, viu uma chuva negra que caía em sua direção.
-"Chuva do Inferno" - Gritou String enquanto parava de girar e lançava a última das garras no ar.
Líquido cor de rubi escorria como uma cachoeira dos seus dedos e seus olhos estavam fechando como se ele estivesse prestes a dormir por horas seguidas.
-Merda, - gritou Torb parando de repente e lançando várias tiras de fogo para as garras que se multiplicavam quando atingidas. - ele foi mais rápido do que eu imaginava. Não vou parar esse ataque a tempo.
-Bem. - Disse Saria correndo na frente do menino antes de parar e se virar para que ele pudesse ver que um sorriso se estendia por sua face. - Parece que você erra afinal.
Ela girou e uma luz intensa foi emitida de seus punhos.
-"Barreira do paraíso".
Uma parede de luz, tão brilhante quanto a luz do sol, se esticou do solo ao teto de grades, que queimaram as garras do inimigo quando estas tocavam-na.
Quando a última das garras virou cinzas na parede e Saria dissipou o ataque, ela se virou para dizer á Torb que também era útil, mas um vulto vermelho passou por ela.
Ela pensou que fosse Dylan com sua velocidade passando por ela, mas percebeu tardiamente que foi Torb que havia passado por ela.String pousou no chão e gritou de ódio avançando ao encontro do menino.
As mãos do guerreiro de Fogo brilhavam em vermelho enquanto as de String brilhavam em preto.
String saltou como fizera com Dylan, mas Torb não fez o mesmo.
Como se já houvesse calculado cada centímetro que tinha ele deslizou e girou no chão batendo suas palmas ardentes no peito do guerreiro sombrio.Este chiou de dor e caiu rolando para o lado.
Torb se ergueu rapidamente e começou a lançar chamas que queimavam o chão em volta do homem caído.Não eram ataques, percebeu Saria, ele só estava contornando o homem com chamas, nada mais. Ela estava presta a gritar para ele por cima do barulho das chamas queimando a terra, e perguntar o que estava fazendo quando o guerreiro dos Mortos começou a se contorcer e gritar, como se partes de seu corpo estivessem sendo estilhaçadas aos poucos pelas chamas, e então ela se lembrou quando o controlador de fogo falou alto e em bom tom.
-Mortos já viram o fogo do inferno não é mesmo? Aposto que odeia as chamas, odeia tudo que queima, e fica fraco com esse ódio não estou certo? - gritava ele por cima das chamas - Sei que não podem morrer pois já nascem nessa condição, e também não quero destruir seu corpo para que sua alma volto para o inferno, mas posso fazer com que o calor o faça perder seus poderes e ficar tão cansado, que desmaie com a dor.
Uma explosão de chamas subiu ao topo das grades e um calor intenso se intensificou pela sala, não só pela Arena, e sim por todo o Domo onde as pessoas se encontravam, pois todas estavam suando como porcos assim como Saria que estava diante do circulo de brasas.
Dylan a puxou para trás e a cobriu com a capa como se estivesse livrando de um sonho terrível.
-Cuidado, - Disse ele enquanto se abaixava no canto da sala junto a ela. - a partir de agora a temperatura só vai aumentar.
E era verdade. O calor continuava subindo e subindo como se estivesse quebrando todas as barreiras da termodinâmica e Torb ainda assim continuava parado em frente ao círculo como se não sentisse o calor, mas sua pele não negava que o sentia com as gotas longas e grossas que saiam e escorregavam pela extensão de seu rosto, braços e pescoço.
Após alguns instantes de calor surreal, as brasas se dissiparam com String caído sobre a Arena, finalmente derrotado, não destruído, apenas derrotado.
Torb despencou de onde estava mas não atingiu o chão, pois em uma fração de milésimos, Dylan já estava o segurando em seu colo e Saria percebeu que a capa estava com ele, e não com ela como ela havia pensado assim que ele a cobriu.
Um silêncio mortal se instalou. Um silêncio ainda maior do que esperava Saria, observando alguns rostos se levantando para observar o guerreiro que havia caído no colo do irmão, mas o que a intrigou ainda mais que o silêncio foi uma pessoa que observara, ou a forma dela, já que esta estava se retirando do Domo.
As costas, o jeito de andar, as mãos finas e brancas que saiam do sobretudo preto que usava, os cabelos brancos emaranhados, tudo naquela pessoa lhe parecia familiar, absolutamente tudo....
-Você está bem?
A voz quebrou o devaneio da garota e ela percebeu que quem a soltara havia sido Dylan.
-Estou... -Disse Torb se apoiando no irmão para levantar.
Alguém na plateia começou a bater palmas e de repente como um vírus que se estende pelo ar, todos no Domo estavam gritando e vibrando pela luta, e então Saria percebeu, um pouco atrasada, que havia ganhado a luta, a primeira das duas partidas das eliminatórias da War Of Fifty. Claro, ela não havia feito muita coisa, mas mesmo assim era seu nome que brilhava no telão azul e verde que aparecera em cima da Arena, e um alivio total subiu por suas veias juntamente com o cansaço,  e fechando os olhos agradeceu mentalmente por aqueles dois meninos, pois sem eles, ela não teria vencido, ou estaria viva neste momento.

***

Já estava escuro e todas as primeiras lutas das preliminares do torneio haviam acabado a esta altura, mas Saria não havia visto nenhuma delas. Após sua luta no meio da tarde, ela foi para o quarto e se jogou contra o colchão e dormiu até o que parecia ser agora nove horas da noite.
Ela havia tomado um banho depois que despertou e agora estava com uma camisa vermelha e um shorts verde que se terminava na metade de suas coxas. Seus cabelos loiros estavam grudados em seu pescoço por conta da água que pingava e escorria dele e enquanto ela o secava com uma toalha no banheiro branco e simples acoplado ao quarto alguém bateu na porta do mesmo e Saria franziu a testa sem entender quem teria algo para falar com ela.
O quarto também era branco com uma cama no centro com uma fina manta vermelha cobrindo seu tamanho. Havia uma janela ampla em cima da cama e um guarda roupas negro ao lado da porta. Ao todo o quarto não possuía uma dimensão de 50 metros quadrados, mas mesmo assim era aconchegante.
Quando Saria abriu a porta do quarto encontrou dois rostos conhecidos olhando para ela. Eram Torb e Dylan. O irmão mais velho estava com os cabelos negros arrepiados e vestia uma bermuda que ia até o joelho e uma camisa sem mangas branca mas ainda estava com a capa. Já o irmão flamejante, estava vestindo calças jeans pretas e uma blusa que ia até os punhos azul-marinho. Ambos assim como ela estavam descalços, o que a fez não sentir tanta vergonha de sentir o frio do mármore sob seus pés.
- O que foi? - Perguntou ela aos dois que estavam encostados, cada um em uma das bordas da porta. - Aconteceu alguma coisa?
-Não. - Respondeu Dylan, entrando no quarto acompanhado pelo irmão. - Só viemos conversar um pouco, acho que depois de termos salvado sua vida, deveríamos nos conhecer melhor.
-Por mim tudo bem. -Disse ela fechando a porta atrás de si.- E então? Por onde começamos, querem ver minhas fotos de bebê ou começar a escutar minhas músicas preferidas?
-Depende, - Continuou Dylan - com quantos anos você está em sua última foto?
-Sei lá, uns dezesseis eu acho.
-E você está com ou sem roupa?
A toalha que ela segurava foi parar no rosto do garoto e ela abriu a porta.
-Tudo bem, fora daqui, os dois.
-Será que dá para vocês pararem com as graças? - Disse Torb observando primeiro o rosto do irmão e depois o de Saria. - Dylan, leve as coisas mais a sério, e você Saria, tente relevar o que essa anta fala, ás vezes eu penso que somente eu fiquei com os dotes da inteligência da família.
Saria riu e fechou a porta.
-Tudo bem, mas, -Disse ela se aproximando da janela acima da cama. -sou só eu ou está muito quente aqui dentro?
- Podemos ir lá fora se quiser. - Dylan se aproximou da janela pelo outro lado. - Conversar ao ar livre e sob a luz da luz é sempre melhor do que em lugares fechados.
-Bom então vamos lá.
Saria pulou a janela e o guerreiro de fogo se correu para ver se ela estava bem.
-E então, vocês vem ou vou ter que chamar os inspetores do torneio para avisar que não querem sair do meu quarto? - Gritou ela do lado de fora do prédio onde os participantes ficavam. Seu quarto ficava no terceiro andar, não era alto, mais ainda era uma queda.
    -Estou gostando dessa menina cada vez mais, sabia. - Dylan saltou atrás de Saria e o irmão virou os olhos antes de segui-lo, era isso ou perder as informações que viera buscar, pensou.
-Compartilhamos de sentimentos opostos. - Disse ele ao aterrisar.
-O que? - Perguntou Saria.
-Nada não, esqueça. - Repondeu o garoto, e então começaram a andar.
Eles andaram até a mata que havia ao lado do prédio e começaram a conversar mas quando estavam no meio da mata Torb, que andava na frente de Dylan e de Saria parou e virou para eles com um dedo na boca indicando para fazer silêncio.
-O que foi? - Sussurrou Dylan.
-Apenas abaixe e observe. - Respondeu o irmão.
Eles abaixaram e ficaram escondidos, os três, atrás de um arbusto alto.
Á frente deles estava uma guerreira, ajoelhada e um homem com asas na sua frente, as asas do homem eram como asas de um anjo e Torb sabia que quando aquilo ocorria era porque o homem era uma fada que havia elevado seus poderes mágicos além do esperado, e que havia se transformado em um feiticeiro puro.
- Senhor, o que devo fazer? - Disse a garota ajoelhada.
As asas dela eram como asas de uma libélula, finas e longas e seus cabelos pretos lisos caiam sobre elas nas costas.
- Deve achar os outros pilares antes de Chris, Astar. Essa é sua missão. - Disse o homem.
Era difícil descreve-lo pois a imagem do mesmo estava embaçada e só era possível ver sua silhueta e suas asas em formato de anjo.
-Mas e se eu não os encontrar senhor? - Disse Astar, a garota fada.
-Você já deve ter encontrado minha querida, a garota de luz é um.
-Eu sei, eu vi. - Houve uma pausa. - Mas ainda precisamos de mais vinte e quatro pilares, como vou encontrar todos?
- Fé, - Por um instante o homem olhou para o arbusto onde estavam e todos congelaram - e um pouco de informações.
O homem sumiu como fumaça e todos repararam que ele era uma ilusão.
Astar se levantou e se virou. A garota havia uma pulseira dourada no braço direito, o que indicava que ela era  uma classe acima da deles, ela estava com um vestido vermelho e o decote mostrava mais do que deveria dos seis e da pele azul da guerreira, e seus olhos não tinham pupila ou iris, eram vazios com uma cor verde como a folha das árvores.
De repente seus cabelos ficaram vermelhos e um raio arco-íris saiu de seus dedos fazendo o arbusto onde Dylan e os outros estavam envelhecer e cair tão rápido que nem mesmo ele pode se levantar a tempo de se afastar, mostrando os três jovens ajoelhados no chão de folhas secas e cinzas.
-Muito bem, - Disse a fada - qual dos amaldiçoados presentes prefere morrer primeiro?


Música do capítulo

A música deste capítulo representa o espírito de Torb ao atacar String e também pode representar alguns pensamentos que Saria teve durante a luta. A música é "Burn" da "Ellie Goulding".












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