Capítulo 6 - O anjo das trevas.
Saria e Jim ficaram apertados um contra o outro por um bom momento
até que Torb decidisse acabar com o momento dos amigo.
- Jim? - Disse ele - Ele não estava morto Saria?
Os dois se afastaram mas continuaram unidos pelas mãos enquanto a
garota, suja de sangue, se posicionava ao seu lado.
- Foi o que eu pensava. - Ela olhou para o amigo. - Mas aparentemente
não está.
- É uma longa história. - Disse o garoto. - E por favor, me chamem
de Mart.
- Eu te chamo do que quiser, - Disse Dylan. - desde que fique longe
da minha namorada.
Sem que percebessem Dylan já estava do lado de Saria abraçando-a
tão forte que o braço da garota voltou a doer.
- Você está bem? - Perguntou ele
Saria ficou surpresa. Tanto pela atitude do garoto, quanto pela
pergunta.
- E-Estou. - Gaguejou ela.
Ele passou os dedos pelas maças do rosto dela, afastando uma mecha
de cabelo com sangue que havia grudado do lado esquerdo do rosto, mas
sem mover os olhos dos dela.
- Eu achei que fosse te perder ali. - Disse ele quase em um sussurro.
- Fiquei com tanto medo.
Por um momento a garota tremeu, não porque estava com frio ou com
dor, mas sim porque toda a dor que sentia havia passado com aquelas
palavras, e se tornado em um sentido da qual ela nunca sentira antes.
- Ela sempre foi muito forte. - Disse Mart sorrindo - Não duvidei do
potencial dela em sequer um segundo.
O sorriso dele ainda era o mesmo de quando eles eram crianças, ainda
era perfeito.
- Pois eu duvido do seu. - Disse Dylan se virando para ele.
- Eu não estou acreditando que você está com ciumes de mim.
Mart engasgou uma risada, mas Tyrano não fez o mesmo. Ele riu como
se toda a graça do mundo estivesse ali.
- Porque está rindo? - Disse Dylan fechando os punhos
- Por que... - Tyrano se aproximou de Mart e o abraçou colocando as
mãos na barriga do garoto enquanto ele acariciava o rosto de Tyrano.
- Mart e eu somos noivos.
Todos ficaram sem reação e deram ou um passo para trás ou abriram
a boca em surpresa, exceto Saria, que deu um pequeno riso cobrindo a
boca com as mãos para abafar o som.
- Eu apenas esperava escutar essas palavras antes de morre. - Disse
ela - Vocês sempre foram ligados de mais pra mim.
- Bom, - Disse Torb, se recuperando da surpresa. - vocês são muito
corajosos. Não existem muitos gays assumidos em Zmik. Mesmo vivendo
em um mundo que contém muitas raças e diversidades parece que eles
não aceitam muito essa condição.
- E quem liga pra isso? - Disse Mart colocando as mãos sobre as do
noivo. - Ser feliz é a única coisa que importa pra gente.
- Estou louco para saber tudo o que vocês tem a nos contar. - Disse
Torb
Mas Sophie atravessou sua frente e foi em direção a Saria abanando
as mãos no ar e falando enquanto parava.
- De jeito nenhum, isso vai demorar muito. Vamos Saria, você tem que
ser curada o mais rápido possível e isso irá demorar de mais,
vamos, vamos.
Sophie começou a empurrar Saria para longe e quando a garota loura
olhou para trás se sentiu mais feliz do que nunca, pois tinha todas
as pessoas que a faziam se sentir especial, olhando e sorrindo para
ela.
***
Depois que saíram de perto dos amigos, as duas garotas passaram na
enfermaria e pegaram algumas caixas de medicação, mas Sophie
alegava que não poderiam ficar ali.
Saria e Sophie agora estavam em um dos banheiros da War Of Fifty, era
branco com as separações azuis. Saria estava sentada no balcão
onde se encontravam as pias e Sophie passava as mãos para curar os
machucados da menina, que brilhavam ao toque da jovem.
Fora as duas garotas havia apenas a ultima porta do banheiro que
continuava fechada desde que entraram e Saria imaginava que não
estavam tão sozinhas quanto a amiga pensava.
Fazendo uma careta quando um dor ardente passou pelo braço quebrado
a garota finalmente soltou a primeira palavra desde que as duas
entraram no local.
- Obrigada Sophie, nem sei como posso te recompensar pelo que está
fazendo.
- Me leve com vocês quando a competição terminar, - Respondeu a
garota afastando as mãos dos braços de Saria - é tudo que peço a
vocês.
Saria ficou surpresa.
- Por que não pode sair sozinha? - Perguntou - Eles te prendem aqui?
- Prendiam, se algum de nós que trabalha para os Arcanjos quiser
sair só é permitido se encontrarmos alguém que posso ficar de olho
em nós, pelo menos durante um ano.
Sophie molhou alguns pedaços de seda que havia na caixa de
medicações e enfaixou o braço da amiga.
-Bom se quiser pode ficar comigo depois que eu sair, mas o que te faz
acreditar que eu ficarei com os outros depois disto?
Pela primeira vez desde que entraram o olhar das duas se encontrou. A
garota loura estava com o olhar questionador e penetrante, mas até
ver o olhar de pavor e medo que Sophie tinha no rosto. Por algum
motivo estava com medo, e não conseguia esconder isso, mas medo do
que? De que?
- Uma guerra se aproxima garota, é melhor ficar perto daqueles de
que você confia.
A voz não veio de Sophie, e sim de garota que havia saído da porta
trancada. Ela Tinha cabelos azuis e vestia roupas de tecido de couro
marrom com uma blusa negra por baixo do casaco. Tinha o rosto fino e
olhos grandes e a boca era uma piscina de batom vermelho-escuro. Ela
foi em direção à pia e lavou as mãos, mas não precisou secar,
por algum motivo a aguá havia penetrado a pele.
- Meu nome é Verônica. - Disse a garota estendendo a mão. - Vi o
que fez na arena, adorei aquilo.
- Obrigada e se me viu sabe qual é o meu nome. - Disse Saria
apertando a mão da garota.
- Claro que sei. - Verônica puxou a mão, encerrando o contato das
duas meninas.
Saria percebeu que a garota não respirava, ao menos não do jeito
convencional. Ela tinha pequenas escamas no pescoço que subiam e
desciam a cada segundo. Verônica foi em direção à porta do
banheiro para se retirar, mas parou ao abrir a porta.
- Ainda nos veremos Saria, hoje a noite.
A menina não virou para falar, e desapareceu pela porta logo depois,
deixando o local com um peso no ar maior do que o peso que deixara no
peito da garota de luz.
***
Depois de Sophie curar o resto dos ferimentos de Saria, ela a proibiu
de sair do quarto, independente da situação. É claro que já havia
tentado sair ao longo das seis horas que estivera no quarto, mas toda
vez que abria a porta lá estava Sophie, com ossos afiados saindo dos
cotovelos.
A menina já estava quase morrendo de tédio quando a porta do quarto
se abriu e ela parou de andar pelo quarto e se jogou na cama,
fingindo estar completamente calma, mas para a surpresa da garota não
foi a outra menina que abriu a porta. Foi Dylan, seguido pelos outros
três meninos, Torb, Mart e Tyrano, e com Sophie que vinha logo
atrás.
- E então está melhor? - Disse Dylan deitando na cama ao lado de
Saria e passando o braço por cima do ombro dela.
- Estou. - Respondeu. - E você?
- Estou.
- Estávamos preocupados com você. - Disse Mart. - Sophie não nos
deixou entrar para vê-la.
-
Estou bem, - A garota olhou para a médica. - mas acredito que não
teria deixado vocês entrarem se não houvesse uma boa razão para
isso. - Olhou para Mart e sorriu. - O que foi?
Todos
na sala ficaram quietos e um silêncio se instalou enquanto ela
olhava de rosto em rosto, todos abaixados, ela deu um riso de
escárnio.
-
Vocês estão me assustando, andem falem logo.
Todos
trocaram olhares e Tyrano e Mart fixaram os olhos um no outro.Saria
já havia visto muito daquela expressão e sabia que eles conversavam
pelos olhos quando Tyrano balançou a cabeça negativamente.
-
Ela precisa saber. - Disse ele em direção ao amante, mas logo se
virou para a amiga. - Saria preciso te mostrar uma coisa. - Ele se
sentou na cama e colocou a mão dela em seu peito. Estava gelado,
mesmo por cima da camisa e pelo calor que fazia naquela noite, mas o
mais estranho era que não havia vibração ou movimento algum dos
pulmões do garoto. - Sente alguma coisa? - Perguntou ele.
-
Não. - Um desespero começou a subir pelo peito da menina e subiu
direto para os olhos, onde se instalou em uma pressão que era
familiar a ela, pressão que vinha pouco antes de quando ia chorar. -
O que está acontecendo Jim?
-
Saria... - Os olhos do menino se fecharam mas quando o fez o quarto
também começou a escurecer, como se ela própria estivesse fechando
os olhos. - Eu já te disse, me chame de Mart.
-
Porque isso é tão importante para você? - A escuridão crescia
pelas paredes cada vez mais veloz e espessa, e com ela também
cresciam as batidas do coração de Saria.
-
Porque... - disse ele enquanto as trevas cobriam seu rosto. - Jim não
existe mais.
Saria
estremeceu e as trevas cobriram toda luz existente no quarto. Ela
estava com frio agora e sem que percebesse apertou as mãos com as de
alguém do quarto. Mas as mãos não eram as de Mart, geladas e com
curvas das quais ela conhecia muito bem. Eram mãos quentes que a
esquentaram no instante em que ela as tocou, um calor que ela
conhecera apenas a alguns dias, um calor que ela sentia dentro de si
sempre que estava perto dele, um calor que sentira quando o beijara
na noite anterior. Dylan.
Por
mais escuro que estivesse e por mais apreensiva que estivesse, Dylan
estava lá, cuidando dela, sentindo ela, estava lá, por ela.
Conforme a mão dos dois se apertava e o braço dele a puxava para
encostar em seu peito, o ritmo das batidas do coração da menina
voltaram ao normal, e ela se sentiu segura novamente.
-
Tudo bem. - Disse ela - Você pode contar, eu aguento.
-
Tudo bem. - Disse Mart, e então ele começou.
"Tudo
começou quando houve aquele acidente em nosso treinamento. Eu morri
naquela hora Saria. Tudo ficou escuro, frio e houve uma tristeza da
qual eu nunca havia sentido antes, mas logo em seguida eu acordei em
um lugar diferente.
A
terra era pálida e havia uma fumaça branca por todos os lados, mas
embora a paisagem fosse a mais triste possível. -
O garoto fez uma pausa e colocou a mão de Saria na cama,
interrompendo o contato dos dois. - Eu
estava feliz. Não completamente, mas eu estava.
Lá
eu não precisava dormir ou comer e o tempo passava muito mais rápido
do que passa aqui. Eu conheci pessoas incríveis, e por dias andei
por toda a extensão do mundo dos mortos. Até que duas pessoas me
encontraram.
Um
tinha o corpo completamente metálico e uma pele tão dura como aço,
já a outra tinha cabelos longos negros que batiam em sua cintura,
sua pele era clara e tinha duas correntes de metal enroladas nos
braços que se arrastavam pelo solo. Ambos pareciam não possuir mais
do que vinte e cinco anos, e se chamavam Titanium e Corrente.
Eles
me disseram que cuidavam dos mortos que chegavam no local e que agora
era a minha vez de ser cuidado por eles. Eles me falaram também que
eram amigos dos deuses salvadores da Galaxia Z, aqueles que possuem
estátuas na cidade central, e eu me senti muito honrado de
conhece-los.
Algumas
semanas se passaram lá, eu estava feliz mas não completamente, pois
o vácuo deixado por não ter você e Tyrano comigo ainda vivia
dentro de mim. Até o dia em que eles chegaram em mim completamente
sérios.
Eles
me disseram que eu seria ressuscitado, que uma guerra se iniciaria em
meu mundo e que Zanin, o planeta salvador da galáxia não poderia
ajudar agora, então eu teria que lutar essa guerra, e foi o que
aconteceu. Duas semanas depois uma fada me reviveu, ela era gentil
comigo, mas me treinava mais duro do que Steve, nosso tutor, fazia.
Mas
algo estava errado comigo, meus controles perfeitos de guerreiro
começaram a sumir, eu perdi o controle das armas e ela me disse que
eu não era mais um caçador, que agora era um pilar renascido das
cinzas e das trevas e deveria me comportar como um, que deveria mudar
meu nome e ser a pessoa que renasci para ser, e não a que eu era
antes."
A
escuridão começou a abrir caminho para a luz, mas a névoa preta
ainda pairava ao redor do jovem.
-
Eu consegui controlar a escuridão, e ela me disse que agora era um
guerreiro das trevas, mais precisamente, - A fumaça negra começou a
entrar dentro de Mart que se levantando da cama fez com que asas
negras surgissem em suas costas. - o anjo protetor renascido das
trevas.
Cinzas
caíam das asas do garoto enquanto se dissipavam com a luz e então
Saria se afastou de Dylan deslizando sua mão na dele e foi em
direção ao amigo de cabeça baixa. Agora que havia luz no quarto
novamente percebeu que Tyrano e Torb estavam sentados lado a lado no
chão olhando para eles, enquanto Sophie estava encostada ao lado da
porta de entrada do banheiro, e Dylan olhava para eles com pena da
cama. Mas o que a chocou foi que percebeu tardiamente que estava
chorando e que Mart soluçava com as lágrimas também.
Ela
não se conteve e abraçou o amigo o mais forte que pode enquanto ele
fazia o mesmo. Nenhuma dos dois falou nada, apenas choraram, se
abraçaram e soluçaram juntos até que um foi transmitindo calma
para o outro para que conseguissem falar novamente.
-
Eu senti tanto a sua falta, senti tanto a falta de Tyrano. - Disse
ele aos soluços e a garota viu que Sophie virou o rosto contendo as
lágrimas e limpando uma que escapara e escorria pelo rosto.
-
Eu também senti a sua. - Disse Saria. - Mart. - Eles ainda
permaneceram abraçados mas se afastaram um pouco para que pudessem
ver o rosto um do outro. - Eu te amo e sempre amarei, independente do
que você seja e de que nação pertença.
-
Nós sempre fomos diferentes um do outro Sá. - Disse Mart. - E agora
somos mais ainda, somos opostos, luz e trevas, e tudo a luz que eu
tenho vem de você agora, portanto me prometa que não vai ficar mais
longe de mim, nunca mais.
-
Eu prometo Mart. - Disse Saria - Com toda a minha força, prometo que
ficaremos juntos até o fim dos tempos.
Eles
se abraçaram mais e como eram do mesmo tamanho, Mart teve que
levantar um pouco os pés para beijar a testa da amiga e se soltar do
abraço.
-
Eu também conheci outra garota no mundo dos mortos. - Disse ele.
-
E quem era?
Quem
falou foi Torb. Aparentemente ele não havia contado essa parte para
os outros também.
-
Era uma das deusas salvadoras da Galaxia Z, ela era muito parecida
com você Saria, se chamava Sa...
O
resto do nome da deusa foi abafado pelo som do alarme que tocara por
todo o prédio dos alojamento, era o som do alarme de alerta para a
cerimônia de iniciação das finas da War Of Fifty e todos os
vencedores deveriam ir até a Arena, para que os dois melhores de
cada nação fossem escolhidos pela plateia e pelos organizadores.
-
Bom, - Disse Tyrano se levantando junto com Torb do chão e todos se
viraram para ele. - acho que o resto da conversa fica para depois,
precisamos ir.
-
Sim, - Disse Mart, virando o rosto para encarar Saria. - precisamos
ir.
***
Quando
chegaram na Arena todos os duzentos e trinta e cinco guerreiros
remanescentes se amontoaram no cubículo cercado por metal. Saria,
Torb, Dylan e Mart mal conseguiam se mover mas ela agradeceu por
estar ali, pois na plateia estavam concentradas tantas pessoas que
ela não conseguia achar Tyrano e Sophie em lugar nenhum.
-
Esse lugar está um caos. - Disse Mart passando por alguns guerreiros
e abrindo caminho para se grudar nas grades de proteção junto com
os outros. Ali era o local onde menos pessoas se encontravam.
-
Sem dúvida, - Disse Dylan. - será que seremos escolhidos?
-
Creio que sim, - Respondeu Torb. - assisti quase todas as lutas e não
vi muitos guerreiros tão bons quanto nós.
-
Tomara que esteja certo. - Comentou Saria.
Guerreiras
Fadas e alguns guerreiros Dragão que possuíam asas começaram a
voar para ganhar mais espaço e Torb estremeceu ao ver uma das fadas,
a fada que os atacara na noite anterior, Astar.
-
Essa não, - Disse ele e todos os outros inclusive Mart enrijeceram
ao seu lado. - com ela na competição estamos perdidos, teremos que
tomar muito mais cuidado para não morrermos.
-
Não é só com ela que temos que ter cuidado, - Disse Dylan
apontando com o queixo a direção oposta do olhar de Torb. - olhe só
quem está ali.
A
garota que havia falado com Saria e Sophie no banheiro mais cedo
estava à alguns metros deles na grade e olhava para eles com um
sorriso vermelho sob os cabelos azuis.
-
Verônica? - Perguntou ela.
Torb
pareceu incrédulo.
-
Você a conhece?
-
Mais ou menos, - Começou ela. - hoje cedo...
Mas
ela não conseguiu terminar de explicar. Uma voz rouca e grave veio
de trás dos garotos e se espalhou por todo o Domo com a ajuda dos
microfones.
-
Sejam Bem-Vindos á mais uma War Of Fifty.
Todos
viraram e começaram a gritar e pular eufóricos, menos Mart e Saria,
que permaneceram olhando para frente. Eles trocaram olhares, e
perceberam que os dois estavam com pavor estampado no rosto. Eles não
precisavam virar para ver quem havia falado, mas mesmo assim o
fizeram, e quando o viram lá estava ele. Um homem de cabelos
brancos, forte o suficiente para derrotar todos ali somente com as
mãos e uma pele escura. Ele olhava diretamente para os dois amigos e
quando notou quem eram arregalou os olhos e um sorriso malicioso
passou pelo rosto do homem. O mesmo sorriso que dera no dia em que
Mart havia sido morto, e lá estava ela agora. Em cima de um palco
que surgira no Domo como mágica por trás da Arena, com um guerreiro
dragão ao seu lado. Estava com os braços abertos e parecia que não
envelhecera nada em sete anos, pois Steve, continuava com o mesmo
olhar sem brilho que tinha quando treinou Saria e Mart alguns ano
atrás.
Música do capítulo.
A música do capítulo seis representa todos os sentimentos de Saria e Mart e a maioria dos pensamentos que ela tinha quando o garoto não estava vivo. A música é "Come Home" do One Republic.

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