sábado, 12 de abril de 2014

War of Fifth - Sétimo capítulo


Capítulo 7 - Quando os anjos caem.



    Steve estava de braços abertos, enquanto gritos de euforia vinham da platéia e dos próprios competidores que está noite saberiam quem seriam os cinquenta guerreiros que se classificaram para a War Of Fifty, onde o poder deles aumentaria e seriam reconhecidos. O homem havia falado apenas algumas palavras mas agia como se tivesse acabado de terminar um show e seu publico estivesse gritando para saudá-lo pela performance.
Saria e Mart estavam de mãos dadas ainda paralisados por ver o homem que havia treinado eles, o mesmo homem que matara Mart para fazê-lo ter mais poder. O mundo estava girando mais devagar para os dois mas aos poucos os gritos foram diminuindo e quando todos ficaram em silêncio e os braços de Steve abaixaram, foi como se eles tivessem acabado de acordar de um sonho.
Não conseguiram soltar as mãos de imediato mas aos poucos se desvencilharam, e quando o fizeram os dois perceberam que havia mais coisas no palco acima da gaiola além de Steve.
Nos fundos, coberto pela penumbra havia um homem com asas pontiagudas e pele de escamas e sobre o seu ombros se podia ver um cabo dourado de uma espada. Ao seu lado havia um homem coberto por um capuz negro, mas o que chamava o olhar para ele era o livro que flutuava em sua frente, aberto pela metade. Além dos dois homens no fundo do palco, haviam três cadeiras atrás de Steve. Cadeiras prateadas e do encosto de cada uma saia um par de asas dourados.
- Hoje vocês terão um prazer inigualável, além de sabermos quais serão os guerreiros que passaram adiante na competição, vamos ter a visão de pessoas que poucos conhecem. - Um murmurio de vozes reverberou pelo local, e Steve fechou os olhos e esperou alguns segundos para continuar falando, como se estivesse gostando das vozes. - Com vocês, senhoras e senhores, os três Arcanjos, Raphael, Miguel e Gabriel.
Pela primeira vez o local ficou pesado com o silêncio, talvez não fosse nem pelo silêncio, mas sim pela surpresa. Os Arcanjos não apareciam com frequência e muito menos iam em torneios, nem mesmo no War Of Fifty, esse pensamento deve ter passado pela cabeça de todos no local, que eles deviam ter alguma coisa para fazer ali, algo importante e que somente eles poderiam realizar.
Mas de algum modo, quando eles desceram do céu aos poucos, flutuando em direção ao palco lentamente com os olhos fechados o clima ficou leve, e Saria podia jurar que flutuava vendo os cabelos encaracolados balançando ao vento e suas túnicas verdes que cobriam seus corpos se aproximando deles.
Eles pareciam os mesmos sendo que a única diferença notável neles era a cor de seus cabelos. Gabriel era loiro, Raphael era ruivo e Miguel era moreno. Quando os pés deles tocaram o chão do palco, eles abriram os olhos se viraram e se sentaram nas cadeiras, sem dizer nem uma palavra.
- O que? Tem algo de errado aqui.
Saria se virou e viu que Astar, a garota fada que atacara eles na noite anterior estava atrás dela com os olhos fixou no Arcanjos.
- O que você quer dizer com tem algo errado? - Perguntou a garota de luz.
- Eu tenho mais de dez mil anos de idade, eu conheci esses três garotos desde que eram apenas bebês e posso garantir que tem algo de errado com eles. - Disse a fada desviando o olhar para a garota loira - Os Arcanjos são as pessoas mais educadas que eu já conheci, eles nunca viriam aqui em uma ocasião dessas e nem olhariam para a platéia. - Ela olhou novamente para os homens de cabelos encaracolados. - Espero que ao menos eles estejam bem.

***

O que se passou depois que os arcanjos desceram dos céus foi uma chuva de vídeos e comentários sarcásticos de Steve com os guerreiros que haviam passado das classificatórias. O comentário de Saria ser um pequeno inseto sendo esmagada por rochas durante a luta com Tyrano foi o pior comentário da noite.
Ninguém havia dado risada daquele comentário pois sabiam que foi ela que havia vencido, mesmo que por desistência, mas ela havia vencido mesmo assim e aquele foi a fala que Saria mais odiou de ouvir Steve pronunciar.
Assim que os vídeos de todos passaram no Telão acima da gaiola, Steve começou dizendo que chamaria cinquenta nomes.
- Muito bem - Disse ele, com seu cortejo exagerado de braços e com o telão ficando preto acima de sua cabeça. - Agora meus queridos, a War Of Fifty começara. - Todos gritaram em estimulo para o bruto que sorria teatralmente. - Chamarei cinquenta nomes, os cinquenta melhores dentre os guerreiros que se encontram na arena, e eles serão os finalistas da War Of Fifty deste ano. Um homem e uma mulher de cada nação. Sorte a todos.
Saria, Dylan, Torb, Mart e até mesmo Astar que estava por perto estavam aflitos quando nomes desconhecidos começaram a aparecer no telão e as pessoas foram teletransportadas para o palco, ao lado de Steve instantaneamente, formando uma linha reta, alguns nomes Steve fazia questão de falar e o vigésimo sétimo foi um deles, seguido por mais dois.
- O vigésimo sétimo guerreiro é String, o morto.
O guerreiro dos mortos subiu ao palco e ficou parado aonde havia sido teleportado. Aquele era o primeiro nome do qual as pessoas não haviam reagido desde o comentário sobre a luta de Saria.
A guerreira de luz tremeu ao pensar em ter que lutar contra String novamente, mas era tarde demais para pensar nessas coisas, pois Steve já havia dito outro nome.
- A vigésima oitava é uma guerreira da qual todos voltaram a sorrir, prometo. Suba ao palco minha pequena princesa sereia, Veronica.
Torb enrijeceu mais do que Saria ou o próprio irmão já o havia visto fazer, mas antes que Dylan pudesse tocar no ombro dele e falar algo sobre a multidão de vozes, ele sumiu. Como poeira sendo levada pelo vento. Mas então, quando Saria e Dylan trocaram olhares surpresos e olharam para o palco, lá estava Torb com os olhos arregalados e mais tenso do que nunca ao lado de Veronica, e o comentário de Steve esclareceu o que a guerreira de luz ainda não havia visto.
- Nosso vigésimo nono guerreiro como podem ver é Torb, e com isso temos o que chamamos de "apaga-fumaça". - Com uma piscadela ele arrancou risadas da plateia e um rubor visível, tanto de Torb, como de Veronica.
- Demônio maldito. - Disse Dylan cerrando as mãos - Como ele poderia saber sobre eles?
- O que ele quis dizer com "apaga-fumaça"? - Perguntou Mart a ninguém em especial.
- Quando um guerreiro da água e um guerreiro do fogo se apaixonam, - Começou a explicar Astar, que estava mais próximo do grupo de amigos do que o necessário. - e tem seu primeiro contato, eles perdem seus poderes temporariamente. Fogo e água não se completam, eles se apagam. Quando esses amantes insistem em tentar continuar com o amor, seus poderes vão se perdendo de seu corpo com o tempo, até que eles não outra coisa a fazer, se não ir para a nação dos Caçadores, os nascidos sem "talento".
Mart olhava incrédulo para Astar, mas Saria notou que havia algo mais no olhar do garoto para a fada, algo que ela não conseguia nomear.
Alguns nomes se seguirão no telão depois disso e Astar e Mart foram transportados, um seguido do outro, para o palco. Com isso eram quarenta guerreiros no palco, e várias nações já haviam saído da Arena, já que eram apenas dois para cada uma.
Saria e Dylan estavam de mãos dadas desde que ficaram apenas os dois do grupo na Arena, e a cada nome no telão eles apertavam as mãos. Mas o nome de Dylan apareceu no telão no quadragésimo pitavo lugar e antes de ser transportado o mesmo, deu um beijo na testa de Saria e sussurrou para ela.
- Não se preocupe, - disse - você vai entrar. Tem que entrar.
Saria assistiu enquanto mais uma nação se retirava da Arena. Agora restavam apenas duas nações e um sexo na gaiola, todas eram meninas e ou eram da nação da Luz, ou da nação do Vento.
Mais um nome foi mostrado no telão, um nome de uma guerreira do Vento. e então a guerreira de Luz começou a ficar mais nervosa do que nunca.
Agora não, pensou ela, eu não cheguei tão longe para acabar nisso. Ela apertou as mãos até doerem. Eu não me esforcei tanto para nada.
Seus olhos estavam com lágrimas e focados no telão, mas quando o nome ia surgir, Steve desligou o aparelho, o que deixou todos no recinto confusos.
Porque ele fez isso? Pensou Saria.
- Senhoras e senhores, - disse Steve, mas agora estava sério, não sorria mais - o último lugar para o torneio eu terei a honra de dizer pessoalmente. - Silêncio - O último nome, - Continuou ele, depois de um tempo - é de uma pessoa que eu conheci á muito tempo, nunca esperava que fosse dizer o nome dela aqui, ou repetir o tom suave e doce que sai junto a seu nome, mas ela está aqui, e foi classificada. - Saria tremeu. Era ela, tinha que ser. - Suba ao palco, meu pilar, minha aluna, minha luz, Saria!
De repente Saria se viu no palco, ao lado de Steve e o mais impressionante, sua mão estava nas dele erguidas para o ar. A garota viu todos os olhares sendo direcionados para ela, e sentiu a recepção mais calorosa que a plateia havia feito até o momento. Depois de alguns segundos, Steve abaixou a mão mas eles ainda estavam unidos por seus dedos.
- Amanhã começaremos a final da War Of Fifty, - Disse o anfitrião aos berros, para que sua voz fosse escutada através dos gritos de euforia do público. - estejam aqui ás dez da manhã para a iniciação. Tenham uma ótima noite.
De repente as luzes se apagaram e todos estavam na gaiola novamente, menos Saria. Steve se virou para ela, ergueu sua mão e disse.
- Espero poder contar com você novamente.
Ele beijou as costas da mão da guerreira, mas antes que Saria pudesse ter qualquer reação ela se viu na euforia dos classificados na gaiola. Todos esbarravam uns nos outros, pulando e se abraçando, alguns se beijavam, mas quando a garota voltou a si, ela estava nos braços de Dylan, mas não ouviu direito, achou que fosse algo como "Eu sabia que conseguiria", mas quando foi perguntar o que ele tinha dito eles já se encontravam aos beijos, e, por um instante em toda aquela noite maluca Saria não se sentiu confusa ou com assustada. Ela sentiu apenas, que estava no lugar certo.

***

Após toda a euforia, os quarenta e sete classificados foram juntos cantando, rindo e brincando lado a lado pela floresta até o prédio onde os guerreiros ficavam hospedados. Apenas Astar, String e Veronica haviam saído antes sem esperar os outros, mas quando o grupo maior de classificados entrou no prédio tiveram uma surpresa. Todos os outros guerreiros estavam na entrada, cantando sob uma música altíssima e luzes que não paravam de reluzir em todas as cores.
- O que é isso? - Perguntou um garoto da nação do Espaço.
- É uma festa para vocês. - Disse Tyrano se aproximando de Mart e o segurando pela cintura. - Nem um de vocês pode ir para o quarto, a menos, - ele empurrou Mart contra a parede, o garoto começou a rir. - que seja extremamente necessário.
Os dois se beijaram e o garoto da nação do Espaço deu de ombros.
- Festa é festa. - Disse ele.
Todos se separaram e foram dançar, mas quando Saria deu o primeiro passo para frente sentiu a mão de Dylan em seu braço.
- Sabe que você vai vencer né?! - Disse ele virando ela e pressionando o corpo da garota contra o seu.
- Como pode ter tanta certeza? - Disse ela sorrindo e passando o indicador na bochecha do namorado.
- Porque sua alma é transparente Saria.
Ela estremeceu.
- O que quer dizer? - Perguntou
- Que consigo enxergar sua alma, e vejo uma vitória nela, uma vitória incrivelmente grande. Tanto quanto sua beleza.
Ela sorriu e se afundou ainda mais no abraço do garoto.
- Bobo.
- O seu bobo.
Eles se aproximaram para um beijo, mas antes que conseguissem completar a ação, um guerreiro entrou gritando pela porta e desligou a música e as luzes com seus poderes elétricos. Ele vestia uma armadura amarela por cima de uma camisa e calças marrom, seu cabelo era negro, contrastando com a roupa de cor clara, e tinha uma expressão séria no rosto. Após desligar o som e a música o garoto apoiou as mãos no joelho e começou a respirar fundo, como se tivesse corrido centenas de quilômetros agora mesmo.
- Ei, - Disse um guerreiro que tinha cobras tatuadas no pescoço. Devia ser da nação venenosa, pensou Saria. - o que pensa que está fazendo?
- Eu... - Disse o garoto sem folego recuperando o ar no mesmo instante. - Eu tenho uma notícia, os Arcanjos... eles... estão mortos.
- O que? - Gritou uma menina de vestido rosa do centro do salão.
Um murmúrio alto se instalou pelo local, mas Astar apareceu no ar no centro da sala com os cabelos roxos e falando mais alto que todos.
- Explique-se garoto, porque acabamos de vê-los.
- O que? Isso é impossível. - Disse ele. - Eu vi... eu vi com meus próprios olhos. - ele olhou para as mãos, que, Saria notou, estavam sujas de terra. - Um homem, com um livro que flutuava em sua frente, na floresta, ele matou os Arcanjos e depois os fez levantar lendo o livro, como um poder psíquico para controla-los após a morte.
- Não existem poderes assim. - Disse um garoto de cabelos verdes
- Ela estava certa. - murmurou Saria. - Havia algo de errado então.
- Do que está falando? - Perguntou Dylan.
Saria ignorou a pergunta e olhou para Astar, os olhos brancos e vazios estavam olhando para ela, mas os cabelos agora eram um arco-íris, estavam mudando sem parar, como se ela não conseguisse estabelecer uma emoção estável.
Um murmúrio mais alto dizendo que o garoto de dourado estava mentindo preencheu o local. Mas o garoto gritou novamente.
- Não é mentira, vocês não entendem? Os Arcanjos estão...
Ele não completou a frase. O garoto caiu duro no chão, como se tivesse sido atingido por algo... e foi. Haviam três túnicas verdes em cima do garoto, apenas duas coisas diferenciavam as túnicas, os cortes, haviam milhões em toda a extensão mas todos eram diferentes. A outra coisa era o cabelo que saiam das mesmas, pois um era ruivo, o outro negro, e o outro dourado.
Os Arcanjos, Pensou Saria repetindo as palavras do garoto, estão mortos.

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